[ papos sem nexo ]
O cenário: sábado à tarde, inércia reinando em uma atmosfera preguiçosa, gélida e pálida. Conversa vai, conversa vem… Bel e eu, olhando para o teto, sem nada de construtivo pra fazer/dizer/pensar… Somente comer, e besteira – um salgadinho de amendoim.
- É, Bel… Chego a conclusão que a vida é como um amendoim: salgada e dura. – falo pensativa ao admirar um grão na minha mão.
- Hum… – minha amiga me observa com cara de ‘ela-surtou’, mas abstrai – Cabeça, tenho uma frase melhor. Até a coloquei no meu nick do msn.
- É? Agora, fiquei curiosa. – debocho.
Bel não liga pro meu sarcasmo e fala tranqüilamente.
- “O amor pode mudar as pessoas, basta ter fé nele.”
Fico muda por instantes – não pela frase em si, mas pelo fato de ela ter sido gerada no cérebro da minha amiga.
- E aí? O que achou? - ela pergunta com um sorrisão no rosto.
Levanto um braço, como se pedisse mais um minuto de reflexão. E então, o parecer…
- Ok, agora estou chocada.
Mais tarde… Mesmo cenário [ é, nosso dia não foi muito produtivo ], com a diferença do papo ser sobre uma troca de presentes artesanais que vamos fazer, ou seja… Ela vai me dar algo feito/criado por ela e eu idem.
- Não sei se te dou o que estou pensando… – comento analisando as minhas opções – É arriscado, você já vai poder ter até lá.
- Ahn? Como assim? – Bel me fita confusa – Você já sabe o que eu vou te dar?
- Não. – a corrijo – Estou dizendo que eu sei o que vou te dar.
Bel pensa por instantes.
- Mas eu não sei o que você vai me dar. – argumenta.
- Então, Bel. – explico pacientemente – Por isso que digo que até lá, mesmo sem saber, você pode ter o que vou te dar.
- Ah sim…
Ela pensa por mais um tempinho.
- Bem, então prometo não tentar ter, mesmo sem saber o que é. – sorri – Isso ajuda?
Começo a rir, porque, às vezes, nada do que falamos tem nexo, mas mesmo assim nos entendemos.
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[ Interna: Jussara Mega Hair ]
3 comments Agosto 19, 2008
[ visão periférica ]
O início do meu crepúsculo
Dançando com as sombras sob meus pés…
O problema nunca foi a peça que não se encaixava,
Talvez a que faltava…
E que mesmo assim cortava a ponta dos dedos –
Rascunhos da sua ausência de cor.
Minha visão periférica,
Multifocal em pontos descentralizados –
O absurdo de não ser necessária
Desenha a inversão dos princípios…
Meios… Fins…
Em um mundo obcecado por obscenidades obscuras.
Uma verdade rarefeita pela mentira,
Sua inconstante mudança –
Apenas lições onde deveria aprender a abstrair
Papéis que não preciso assimilar –
O seu ponto referencial longínquo…
Além do tabuleiro preto e branco.
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Alguns vão perceber certos verbetes e expressões que tenho lido/usado muito…
Outros vão perceber alguns sentimentos que deixo transparecer de vez em quando…
E muitos não vão entender nada.
Gosto mais de quem se enquadra nessa última categoria. ;o)
5 comments Agosto 12, 2008
[ tirando o pô ]
Fuuuuuuuu… Fuuuuuuu…
Assoprando pra tirar o pó.
Mas só isso também.
3 comments Julho 25, 2008
[ amor é, simplesmente é ]
Poderia escrever o que bem entendesse,
Mesclar letras para formar palavras graciosas,
Acrescentá-las a expressões compassivas.
Orações, parágrafos e páginas preenchidas por sentimentos,
Ou talvez poderia em curtas linhas,
Redigir de um jeito simples, meu e único:
Amor é extensão ilimitada,
Amor é seqüência límpida,
Amor é movimento terno…
Mas apenas prefiro afirmar:
Amor é.
Simplesmente é.
10 comments Julho 6, 2008
[ minha caixinha branca ]
Pequenina e quieta…
Em minha caixinha branca,
Repleta de cascalhos e coisinhas sem importância,
Meu coração bate fraco,
Uma…duas…três vezes.
A vida o preenche de novo…
Entra pela estreita escada egocêntrica,
Passa pela fina fenda flamejante,
Até alcançar a grande gota giratória.
Então, tudo faz sentido, agora…
Seu dissabor alimentado pelo meu eterno amor,
Minha dança conduziada pelo reverso dos seus passos…
Em traços contínuos não-retos -
O meu primeiro trajeto de luzes bordadas.
8 comments Junho 24, 2008