Arquivo para Abril, 2008

[ ternura retilínia ]

Postado em Poesias em Abril 26, 2008 por Gleice Couto

Somente agora consigo experimentar a sua ternura
Emoldurada, amável e retilínea…
Perfeita de início a fim… Mesmo sendo interminável.
Tudo o que minha miopia me possibilitava ver…
Eram traços de expectativa furtiva.
Meus pronomes possessivos mal aplicados,
Esmiuçados e justapostos a cobiças alheias.
A ausência de cor sempre traz variações,
Estímulos sonoros aos que não têm melodia.
A psique constante, inalterada até às 17:17
Implode em nuances diversas e faiscantes, em segundos –
Conjunto de sexagésimas parte de um minuto.
O amor imaculado tateia o meu, o seu coração…
Sussurra para entrar.
Sem mais substituto.

___

“Tanta gente se afastou
Do caminho que é de luz
Pouca gente se lembrou
Da mensagem que há na cruz
Meu Amigo, volte logo
Venha ensinar meu povo
Que o amor é importante
Vem dizer tudo de novo”
(Todos Estão Surdos, Roberto Carlos)

[ delírios camuflados ]

Postado em Poesias em Abril 13, 2008 por Gleice Couto

Já pensou se você me dissesse o que anseio ouvir?
Já pensou se o anoitecer fosse intenso?
O que seria feito dos pensamentos?
Mais delírios camuflados do que verdades sensatas.
Já pensou se o medo fosse condição eterna?
Já pensou se o próximo passo fosse o certo?
O que restaria das escolhas?
Talvez opções exacerbadas de futuro projetado.
Já pensou se o início não chegasse ao fim?
Já pensou se… Se o se não existisse?
De que serviriam os desejos?
Apenas ambições vagas de memória não quista.

[ escrever ]

Postado em Prosa em Abril 11, 2008 por Gleice Couto

Escrever é o que me faz sentir livre… Livre pra pensar, sentir, imaginar… Ousar! Registrar pensamentos, conceber idéias, materializar ilusões, sonhar acordada. É quando posso vestir fantasias e continuar sendo eu mesma, quem quero e como quero. E o melhor: agora!

É o jeito pelo qual te ofereço sorrisos, lágrimas, reflexões… A minha introspecção! Transformação da minha fonética em símbolos… Decifrados em parte por você, codificados ao todo por mim.
 
E talvez, um dia, nessas linhas mal escritas que você lê, você possa experimentar a emoção que não conheceu, mas se tornou sua… As palavras que não escreveu, mas que mesmo assim vivenciou… Acolher pessoas nas entrelinhas de cada frase é o meu objetivo subjetivo. E quando isso acontecer, então, tudo terá sido válido!

Mas e quanto a mim? O que acontecerá quando a tinta da caneta secar? Quando a folha chegar ao fim? Quando o estoque de idéias esgotar? Transformar, eu acho! Reescrever de modo diferente, sem se preocupar com pontuação, nem concordância. E o vocabulário? Suaves sussurros de amor.

[ hoje ]

Postado em Minha vida é uma novela em Abril 9, 2008 por Gleice Couto

- Glei, você é muito fechada.
- Hum? – pega de surpresa, me pergunto de onde surgiu o assunto.
- Nunca dá pra saber o que você está pensando.
- E porque você quer saber o que estou pensando? – o fito.
- Não quero saber o que você está pensando. – me corrige e continua – Apenas quero, às vezes, saber como você realmente se sente, se está bem…
- Mas eu te digo como me sinto toda vez que você diz ‘oi, tudo bem?’. – ainda não entendia onde ele queria chegar – Quando está tudo ok, respondo ‘sim’, quando não, digo ‘não’.
- E pára por aí. – explica com cautela – Não diz mais nada.
- E o que que tem isso?
Ele suspira e desiste. Eu também fico quieta… Mas por pouco tempo.
- Você já parou pra pensar que talvez você não tem as respostas que quer porque simplesmente faz as perguntas erradas?

___

[É simples se aproximar de mim e me conhecer de verdade. Basta fazer as perguntas certas ;o) ]

[ diálogo 02 ]

Postado em Diálogos em Abril 8, 2008 por Gleice Couto

“Vem cá, Marcelo!” – Bianca grita da beira do penhasco.
Ele faz que não com as mãos.
“Ah, deixa disso…” – ela pede mais uma vez.
“Prefiro ficar por aqui…” – ele responde sorrindo.
“Por quê? A vista daqui é muito mais bonita que a do capô do carro!” – brinca.
“Quem disse? A vista daqui é tão boa quanto!” – ri, não dando o braço a torcer.
“Imagino…” – debocha e insiste – “Por favor, Marcelo…”
“Você sabe que eu tenho medo de altura, Bia…”
“Não precisa ter medo… Não vou te jogar despenhadeiro abaixo.” – sorri.
Marcelo continua firme na sua decisão e se mantém onde está.
“E se eu pulasse?” – Bianca pergunta.
“Eu pularia com você…” – responde sorrindo.
“E o seu medo de altura?”
“Esqueceria dele por frações de segundo…”
“Quer dizer então que, se eu pulasse, você chegaria perto do despenhadeiro?” – pergunta indo mais para perto da borda – “Você viria aqui?”
“Pára com isso, Bia…” – Marcelo pede sabendo onde ela queria chegar.
“Por quê?” – ela anda mais um pouco.
“Dá pra sair dessa borda?” – pede de novo.
“Sabia que eu acho que se eu der mais um passo, eu caio?” – ela fica de costas para ele.
“Droga, Bianca!” – Marcelo se preocupa e sai de cima do carro.
Bianca abre os braços e sente uma brisa suave em seu rosto.

____

Acho que algumas pessoas já leram esse meu diálogo, em um outro lugar, em uma outra circuntância. Shiiiiii. :X

____

Sou uma boboca, não? [ sighs ]

____