Rio de janeiro, 31 de agosto de 2008.
Olá, Gleice! Como você está?
Nossa! Quanto tempo que não nos falamos! Estou sentindo sua falta, sabia? Muito! Sempre me pego lembrando dos nossos papos animados, das nossas risadas por coisas bobas… Da nossa vida comum, mas nem por isso menos extraordinária. Simples, infantil… Intensa.
Recordo-me também de suas atitudes. Às vezes não muito firmes, mas sempre corretas – ou o mais próximo disso. Afinal, você sempre se cobrou muito. Não encare isso como uma falta sua, apenas excesso de zelo. Você não fez errado, fazer o bem sempre foi uma exigência natural para você, mesmo quando suas ações estavam encobertas por outros motivos, camufladas para não descobrirem suas nobres intenções.
Um homem é feito de ações e não apenas de palavras – li isso em algum lugar recentemente. Então, o que dizer de seus conselhos? Como me fazem falta! Você sempre dizia a coisa certa, na hora certa. Suas palavras foram de muita valia para mim, sabia? Sempre sinceras e de incentivo. Elas faziam de mim uma fortaleza, mesmo quando meu castelo era de areia.
Acho melhor não me estender muito e continuar a falar bem de você… Você nunca foi muito boa em admitir suas qualidades. E nem ouse negar isso! Vou me ater a responder sua carta, querida amiga.
Realmente entendo como se sente… Apesar de não concordar com suas palavras. Não há nada de errado com você! Porque pensa um absurdo desses? Desde quando uma pessoa é parâmetro para outra poder afirmar isso? Muito me admira você, sempre tão sensata pensar desse modo. Mas sei que temos nossos dias ruins, imagino que é isso que tem acontecido com você. É a única explicação.
Você também não está fazendo nada de errado. Absolutamente. Não existe nenhum manual de ‘como se portar’ numa situação dessas. Você está fazendo o que pensa ser necessário para conseguir seguir em frente, oras. Sobrevivência. E como não está machucando ninguém, também não consigo ver nenhum mal em suas atitudes.
Sabe o que acho, amiga? Acho que você precisa descansar, tentar se desligar um pouco do que acontece ao seu redor e o principal, dos seus desejos. Você sempre foi uma pessoa que quis tanto em sua vida. Não há mal nenhum nisso, claro que não – até porque seus desejos não são egoístas (Ok. A grande maioria não, rs). Mas, sinceramente, o que parece é que você tem desejado os desejos. Não seria um pouco demais?
Também tente parar de pensar tanto. Você pensa tanto que se esquece de sentir. E se te conheço bem, nesse exato momento seu lado cético está em evidência. Não deixe que ele a domine. Essa idéia de constante dúvida e de achar que não há certeza nenhuma sobre a verdade é perigosa. Você mais que ninguém sabe disso, pois já vivenciou isso em outros tempos. (Não queria trazer isso à tona novamente, me desculpe, mas temo que seja bom avivar sua memória.)
Não sei… Apenas acho que você tem que se apegar ao que é simples. Como comentei, logo no inicio da carta, que fazíamos, sabe? Às vezes, tudo o que precisamos é nos esvaziarmos de nós mesmo.
Tive uma idéia. Vou te fazer uma visita assim que possível, aí podemos fazer isso juntas. O que acha? Vou ver se consigo dispensa do trabalho, família, amigos e todo o resto pra ir até você. Acho que será bacana quando eu me encontrar com você novamente. Sinto que você precisa disso. (Sou modesta, eu sei. rs)
Estarei com você em breve, tanto quanto essa carta chegue a suas mãos. Mas até que isso aconteça, sinta-se abraçada, beijada e eternamente amada.
Atenciosamente,
Gleice Couto