Arquivo para Outubro, 2008

[ casulo ]

Postado em Poesias em Outubro 20, 2008 por Gleice Couto

Portanto, me fecho.
Quietinha, em meu casulo de um quarto –
Com vista para quinquilharias extravagantes
E garagem para único escape.
Rota fictícia a leste! –
É o caminho que pego.
Mapa rodoviário das contrariedades,
Atitudes negativas mediante circunstâncias positivas.
Mas onde eu estava mesmo?
Ah, sim!
Apenas a esmo.
Estrada perdida e depois, mar disperso.
Velas içadas, prontas pra ir…
Vir… Até mesmo partir.
Dependendo apenas do vento –
Meu único acompanhante,
Co-autor deste último e solitário verso…
Sobre minha vida e obra –
A primeira, personagem coadjuvante.

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“Depois tudo é cansaço neste mundo subjectivado,
Tudo é esforço neste mundo onde se querem coisas,
Tudo é mentira neste mundo onde se pensam coisas,
Tudo é outra coisa neste mundo onde tudo se sente.”
[ Fernando Pessoa ]

[ quero ser ]

Postado em Poesias em Outubro 17, 2008 por Gleice Couto

Quero ser sol,
Uma luminosidade tardia em espaço livre, aberto.
Calor medido por sensações e toques –
Transpiração intensa de momentos conexos…
Em pequenas gotas quentes,
Escondidas, sorrateiras, em minha nuca.
Então, o que é luz espalha-se pelo gramado –
Verde, novo, suave.
Aquece… E produz vida em meu corpo desdobrado.

Quero ser chuva,
Uma visita surpresa com lembranças em sua bolsa.
Memória não completa, apenas recorrente –
Pingos secos de experiências úmidas…
Quase encharcadas de dores,
Dissabores, meus inusitados amores.
Então, o que é água corre pelas janelas –
Transparente, doce, limpa.
Arranha… E produz vida em minha fantasia vazia.

Quero ser rosa,
Uma representação pura e simples de afeto.
Sussurros de ‘eu te amo’, abraços de ‘eu me importo’ –
Tecido natural contínuo de pele branda…
Pétalas macias de origem única,
Revestidas por cores, texturas e paladares.
Então, o que é flor decora o jardim –
Completo, vasto, diário.
Nasce… E produz nova vida em meu fim.

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Peguei ‘carona’ na idéia: “ser tudo, ser por inteiro, a vontade de ser é tão grande que até fico sem sono” [ O Mágico Desinventor ]. Genial, não?

[ cansada ]

Postado em Blablabla em Outubro 16, 2008 por Gleice Couto

[ cansada de não ser eu mesma ]

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Bel diz:
eu acho q as pessoas te veem de um jeito tão seriooooo q elas viajam, saca?
gleice [ ãhn? ] diz:
ai nao sei, meu… acho que elas acabam cobrando uma postura e eu sigo, sabe? nao sei… só sinto que nao sou mais eu msm faz bastante tempo. e com ngm.

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(…)

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Bel diz:
e vc ainda não explodiu pq?
gleice [ ãhn? ] diz:
entao, nao sei…hj nadei feito louca e passei mal
Bel diz:
vc deve ta muito cansada mesmo disso tudo
gleice [ ãhn? ] diz:
ai cheguei em casa estressada, e to quase chorando… hahahahhahahhaha
Bel diz:
cara vc tem q comprar um saco de boxe. é bom dar uns socos rs
gleice [ ãhn? ] diz:
uhahahuhauuhahuahua

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[ isso que é conselho de amiga de verdade! hahahaha ]

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DE FÉRIAS DE MIM E DOS OUTROS. :)

[ verdade / mentira ]

Postado em Poesias em Outubro 6, 2008 por Gleice Couto

Sou de verdade -
Apesar das tênues falhas,
Por baixo da pele fria,
Em meio a espamos múltiplos ,
Através de soluços curtos,
Mesmo com sensibilidade tardia.
Exalo seqüências confusas,
Nutro loucuras sensatas -
O acordar manifesto.

Sou de mentira -
Apesar da origem desconhecida,
Por cima do sorriso satisfeito,
Em meio a cores lógicas,
Através de suspiros brandos,
Mesmo com meu destino incerto.
Inspiro essências desconexas,
Produzo juízo simples e puro -
O equilíbrio dissoante.

Sou -
Apesar de,
Por baixo e por cima,
Em meio e através,
Mesmo com verdades e mentiras -
Meu real irreal.