“Sem essa, Bianca!” – Marcelo diz logo atrás dela. Por pouco ela não tinha dado com a cara na porta, quando ele tentava entrar em sua casa.
Bianca não o responde – apenas larga as suas coisas na sala e vai pra cozinha pegar um copo d’água.
“Bia… pára com isso…” – Marcelo também vai para a cozinha.
“Eu? Parar com o quê?” – o fita de tal forma que ele nem se atreve a respondê-la.
“Foi o que imaginei…” – ela murmura e se vira novamente.
“O que eu fiz de errado, me diz?” – ele arrisca quando seus olhos não estão nos dela.
“Você está me irritando hoje desde cedo!” Bianca abre a geladeira e pega a garrafa com água.
“Mas eu não fiz nada!”
“Fez sim!” – ela bate a porta da geladeira com certa violência.
Marcelo a observa, mudo.
“Você…” – Bianca pegava o copo e colocava água nele com mais força que o normal – “Você me acordou de supetão!”
“Eu te acordei com um beijo…” – ele diz um tom mais baixo que o dela.
“Você ficou cheio de ironia comigo desde cedo!”
“Ahn?” – Marcelo já não entendia mais nada.
“E você sabe que eu odeio isso!”– Bianca continuava sem nem escutar o que ele dizia.
Ele pega um calendário que estava por perto.
“Você…” – prosseguia a coleção de acusações descontroladas – “Você não me deu atenção hoje!”
Bia o observa mexendo no calendário e, bem… Fica irada.
“Tá vendo!? Você não me dá atenção!” – diz arrancando o calendário da mão dele na mesma hora – “Fica mexendo na merda de um calendário invés de me escutar!”
Marcelo suspira e espera alguns segundos, para depois falar normalmente…
“Só estava fazendo umas contas.” – seu tom estava ameno – “Sua TPM nunca veio tão forte assim…”
“Grrrrrrrrrrrrrr!” – Bianca geme e lhe dá as costas, finalmente bebendo sua água, de um gole só.
Fica ainda de costas pra ele por alguns instantes. Faz as contas mentalmente e percebe que ele estava certo. Era TPM. Mas não mudava em nada ela saber isso, continuava irritada.
“Merda!” – Bianca bate o copo na pia e cruza os braços.
Marcelo se aproxima e a envolve pela cintura, apoiando seu queixo no ombro dela.
“Isso não é só TPM, não?” – ele pergunta baixinho.
Bia não responde.
“Hein?” Ela respira fundo.
“Bia…” – insiste.
“Um, dois três… Um, dois três…” – mentaliza alguns exercícios de respiração que aprendeu na yoga. Sempre eram uma boa alternativa nessas horas.
“Bia…” – Marcelo começa com cuidado e até fecha parcialmente os olhos quando diz a próxima frase – “Deixa de ciúme bobo…”
Ahn… Quem precisa de yoga?
“Bobo?” – na mesma hora ela se vira.
“Bingo!” – Marcelo pensa.
“Bobo!?” – Bia repete e se afasta dele, falando como se tudo isso fosse um insulto à sua inteligência – “Aquela fulaninha está dando em cima de você, Marcelo!”
“Não está…” – Marcelo discorda – “Só conversamos.”
“Isso da sua parte e da dela?”
“Vem cá… Você tem que estar preocupada com a minha parte, não?” – Marcelo se aproxima.
“Duh!” – Bianca zomba.
“Sério, Bia…” – ele pega o rosto dela – “E da minha parte é só conversa mesmo…”
“Aham.” – sorri de leve, cinicamente – “Imagino.”
Marcelo revira os olhos. Era muito drama pra uma pessoa só.
“Não tem motivo algum pra essa cena toda.” – ele reforça.
Bia desvia o olhar. Óbvio que não tinha pretexto pro capítulo de novela mexicana que ela acabara de criar para sua vida.
“Psiu…” – Marcelo cata os seus olhos.
“O que foi?” – ela implica, ainda relutante.
“Olha pra mim… Quero te falar uma coisa importante.” – ele pede quase num sussurro.
Mesmo contrafeita, ela o encara.
“Fala logo que tenho um monte de coisas pra fazer.” – diz sem paciência.
Ele sorri, reconhecendo em meio a tantos excessos, o porquê de estar ali.
“Eu te amo.” – Marcelo fala como se fosse um segredo, que só valia a pena de ser compartilhado com ela.
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Eu entendo a Bianca… rs