Arquivo para Abril, 2009

[ gente doida ]

Postado em Minha vida é uma novela em Abril 30, 2009 por Gleice Couto

Quinta-feira, 30 de Abril de 2009.

Início do dia, todo mundo ainda de bom humor… Elaine, Paulo e eu conversávamos animadamente, brincando sobre o que seria de nós duas, na ausência dele quando mudasse de turno.
Piada vai, piada vem, o meu telefone toca. Atendo e é a desgrama de um fornecedor que me irrita muito, mas muito mesmo. O carinha começa a torrar a minha (pouca) paciência, cheio de questiomanetos absurdos… E, claro, com minha delicadeza e humor característicos, me exalto.
Percebo que Paulo me olha espantado, mas não falo nada e presto atenção na ligação.
- Hum… Elaine, a Gleice é sempre assim? – mesmo concentrada no que o mané me falava do outro lado da linha, consigo escutar o que ele dizia discretamente com Elaine -  Uma hora tá bem, aí depois, do nada, começa a se estressar?
- Deve ser alguém aporrinhando.
- Ela vai enfartar qualquer dia desses.
- Liga não, Paulo. É assim mesmo. É o normal dela.
- Isso é coisa de gente doida…
- Tô escutando, Paulo! – grito pra ele, ainda com o telefone no ouvido, e ameaço  - Quer quantos dias de suspensão?
Todos riem, inclusive eu.

___

Tenho a ligeira impressão que assusto as pessoas.  [ rs ]

[ e de novo ]

Postado em Prosa em Abril 29, 2009 por Gleice Couto

Acredito nas mesmas besteiras de antes. Repetidas vezes. E cometo os mesmos erros de sempre. E de novo, e de novo, e de novo. Então se eu apagasse minha memória e reprogramasse tudo, faria mais sentido.  Talvez se o significado contemporâneo do que preciso ser pairasse no ar, minhas mãos conseguiriam alcançá-las. Mas tudo o que tenho nelas são rabiscos desconexos – evidências de uma superfície de pessoas rasas, sem nada a apresentar.

___

Realmente estou cansada das pessoas. Acredito que elas também estejam cansadas de mim. [rs]

[ margaridas ]

Postado em Blablabla em Abril 29, 2009 por Gleice Couto

Porque eu adoro margaridas. *.*

E adoro mexer no Photoshop. A foto orginal, abaixo:

margarida

[ atrasada ]

Postado em Minha vida é uma novela em Abril 28, 2009 por Gleice Couto

Quarta-feira, 31 de Outubro de 2007.

- Rafael, eu estou atrasada na monografia. – falo com o meu professor, quando me sento em frente a ele.
Vários livros e papéis se espalham pela mesa dele, fazendo uma pequena bagunça.  Ele me olha com cara de ‘lá-vem-ela-de-novo’.
- Você não está no capítulo três, Gleice? – me pergunta de modo preguiçoso.
- Isso.
- E é o último, não é?
- Aham.
- Como pode estar atrasada, então? – tenta entender.
- Eu não corrigi os outros capítulos, nem a introdução, nem a conclusão.
- Isso você faz em um dia. – fala sem dar muita importância.
- Hum… – penso por um momento, mas ele não consegue me convencer – Tá. Mas mesmo assim eu fiz um quadro com metas para o mês de novembro. Dá uma olhada.
Eu lhe mostro o papel e explico todo o meu esquema. Ele presta atenção, mas vejo certa ironia em seu rosto. Não me importo
- Então… O que você acha? – cheia de expectativa, espero por uma resposta positiva.
- Eu acho que… - escolhe as palavras e depois é direto – Bem, o tempo que você desperdiçou fazendo isso, poderia ter gasto escrevendo a monografia. – é irônico, mas honesto.
- Mas… – tento argumentar.
- Gleice, se você quer saber, você é minha aluna que está mais avançada na monografia. – Rafael interrompe-me pela primeira vez.
- Mas…
- Nesta turma. – segunda.
- Mas…
- Em minhas turmas. – pela terceira.
- Mas…
- Em todo o semestre, Gleice. A verdade é esta. Tá feliz agora? – ele começa a perder a paciência – Não tenho o hábito de elogiar muito os meus alunos, mas você é muito boa. Sua monografia está ótima.
Penso por instantes.
- Não sei porquê, mas ainda não estou feliz.
Rafael desiste de argumentar e começa a rir.

___

Achei esse texto dia desses perdido nas minhas coisas… História verídica. [ rs ]

[ quebra-cabeça ]

Postado em Prosa em Abril 27, 2009 por Gleice Couto

No quebra cabeça comercializado da minha história, o problema nunca foram as peças que não se encaixavam, mas as que faltavam. Procurei-as por tanto tempo… Por debaixo do tapete, atrás da porta… Até que as achei em cima de minha cama. Bem visíveis, absurdamente coloridas – onde sempre estiveram. Como pude ficar tanto tempo sem notá-las ali?

Não só isso, mas tanta coisa que agora percebo. Abro os olhos por não conseguir mais fechá-los. E tudo parece tão novo… Nítido. O ar dançando em seqüências espirais enquanto brinca com um avião de papel. A sombra sendo ofuscada pelo sorriso da luz que acabara de escutar uma piada.  O sussurro do silêncio entre duas pessoas em um mesmo ambiente.

E a cada detalhe diante de mim, o constrangimento chega intuitivo e forte. Faz transbordar água em meus olhos e enxergar o cinza. As perguntas que uma vez saltaram de meus lábios nunca foram importantes – qualquer um sabe usar o ponto de interrogação. Mas as respostas a elas… Quanta diferença fizeram! Mas estas, nunca partiram de mim. Chegaram estrangeiras e fizeram morada.