Saudades das pessoas queridas que por algum motivo não fazem mais parte da minha vida. Hoje pensei nelas. Por outro lado, também me lembrei das idiotas que estão presentes. Mas nessas não perdi muito tempo. Preferi continuar pensando nas que não mantenho mais contato e que foram especiais.
Ana Paula era uma menina esquisitinha que sentava no fundo da sala. Não sei como, nem porque, mas começamos a nos falar. Acho que os esquisitos se atraem. Era uma pessoa calma, paciente… Exatamente o oposto de mim. Mas concordávamos em muito mais coisas. Ok, tá certo que meninas de 12 anos têm geralmente os mesmo pensamentos… Meninos e… Meninos. Éramos apaixonadas pelo Geovane do vôlei, comprávamos revistas sobre ele e até matávamos aula pra ficar jogando! Depois, conhecemos o Bon Jovi e fomos obrigadas a trair o Geovane. Coração volúvel desde tenra idade. Também comíamos bala Frumelo escondidas no banheiro, devorávamos os livros da Agatha Christie, choramos na morte do Senna… Ela ia lá casa pra comer o bolo de chocolate da minha mãe e eu ia pra dela pra comer a carne com milho da D. Rose, sua mãe. Delícia! Convivemos quase que diariamente por mais ou menos 6 anos… Mas aí, cada uma foi viver sua vida… Diferente e distante… Mas ainda hoje, nos raros encontros que temos, é como se nada tivesse mudado.
A equipe da Aky Disco era um grupo completamente heterogêneo. E eu adorava isso! Eu era a ‘baby’ com meus 18 anos recém completados e no meu primeiro emprego em meio a ‘adultos’ loucos – por música e de verdade mesmo. Dudu, Renato, Lópes, Móises, Luciane, Cristiane e mais uns outros chatos (nem tudo é perfeito…) nos divertíamos ao invés de trabalhar. Tudo era motivo pra risada em meio ao estresse de se trabalhar em uma loja de shopping… Chegar mais cedo em pleno domingo pra fazer contagem de estoque, trabalhar 12 horas em alguns feriados, escutar sambas-enredo por horas durante o Carnaval e Roberto Carlos no final do ano… Mas também tudo era motivo pra bagunça. Opa! Ganhamos ingressos do show case do M2M (Socorro!!!). ‘Bora? Bora! Opa! A Warner liberou ingressos pro Rock In Rio! Partiu? Partiu! Opa! A Ticketmaster dá dando cortesia pro Eric Clapton. Já é? Já é! Até comer churros no ponto de ônibus era diversão garantida pra gente… E então, cada um foi pro seu lado. Outros cargos, outros empregos… Até a loja fechou.
Rodrigo era um menino tão doce… Sincero, tímido… Com um sorriso aberto. Sua mãe era tão simpática quanto ele… E era bailarina! Linda! Ele foi a primeira amizade que fiz na faculdade. Lembro que em uma aula de Sociologia, o professor fez a turma sentar em roda e pediu que cada um pegasse uma moeda. Em certo momento, a pessoa teria que dar a sua moeda para outra e dizer o porquê. Na vez dele, ele levantou foi até mim e disse que estava me dando por eu ser a primeira carioca que ele conseguiu fazer amizade – ele era do Espírito Santo. Na minha vez, dei o troco, claro. Nessa mesma matéria, muitas aulas eram filmes… E em todos, ficávamos no fundo da sala fazendo de tudo… Brincando de jogo da velha, forca, adedanha… Menos prestando atenção. Apesar de ele fazer Jornalismo, queria ser empreendedor imobiliário, por isso mudou de curso e foi pra Administração. Enquanto que eu mudei de turno, e da tarde, fui pra noite. O contato se perdeu…
Felipe falava pelos cotovelos e contava piada como ninguém. Tinha porte, era bonitão, parecia galã de novela. E na verdade, depois fui saber, que era isso o que ele realmente queria ser: ator. Um dia, durante uma aula de Economia, ele puxou papo comigo perguntando se eu tinha o conteúdo das aulas anteriores. Descobrimos que fazíamos outras matérias juntas… E daí começou uma amizade. Em meio a trabalhos em grupo e saídas pra baladas formávamos uma dupla e tanto. Por falar em saídas… Algumas foram memoráveis. Para o bem e para o mal. Ele tentou me ensinar a dançar forró, eu vomitei o carro dele todo, distribuímos açúcar no show do Jota Quest (???), puxamos trenzinho de funk no meio da pista de dança… Tínhamos uma cumplicidade que poucas vezes experimentei com outra pessoa. Mas aí, nossos objetivos começaram a mudar… Ele mudou. Eu mudei. E assim acabou uma amizade.
Além dessas, tiveram tantas outras pessoas que eu queria que ainda fizessem parte do meu mundo… Sílvia, Gigi, Ivan, Frederico, Mariana, Sandra, Joyce… Mas sei que as coisas são assim mesmo… Algumas pessoas vão, outras ficam. O ruim é pensar que algumas queridas hoje, um dia irão… Mas tudo bem, elas sempre deixam um pouquinho delas conosco. Nem que sejam boas lembranças.
Mesmo que as pessoas mudem e suas vidas se reorganizem, os amigos devem ser amigos para sempre, mesmo que não tenham nada em comum, somente compartilhar as mesmas recordações. [ Vinícius de Moraes ]