Arquivo para Junho, 2009

[ diálogo 08 ]

Postado em Diálogos em Junho 25, 2009 por Gleice Couto

- Você sabe que não está sozinha, não? – Marcos a observa com cuidado.
Marina fica em silêncio.
- Sabe, não sabe? – ele insiste.
- Saber, eu sei…
- Mas… – incentiva a continuar.
- Mas às vezes… – Marina fala com certa dificuldade – Simplesmente não consigo evitar de me sentir sozinha.

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Quando escrevi esse rascunho, nunca pensei que faria tanto sentido cinco anos depois. Bizarro.

[ corpo-página ]

Postado em Poesias em Junho 21, 2009 por Gleice Couto

Não espere por mim,
Estou esmaecendo.
O ânimo se foi com as cores –
Branco que era vermelho, mas que já fora rosa.
E cada expressão que faço ganhar vida é uma crítica –
Nunca controlei o modo como elas nascem,
Sempre cruzando a sutil margem do que posso, devo e faço…
Pergunto –
Por que, se já sabe a resposta que vai ter?
Estou aberta a consultas,
Pegue o livro e me folheie – não há nada mais a esconder nas entrelinhas.
Seus olhos já desnudaram cada parte-palavra do meu corpo-página,
Agrediram cada sentimento-letra da minha boca-texto.
E todo barulho invade minha mente fútil
Como sinos intermitentes… Delirantes…
Realidades virtuais que fazem sentido nesse exato momento:
O meu instante ilusório camuflado por loucura sadia,
Meu carrossel particular de emoções.
Excesso de boas intenções,
Prazeres inconsistentes,
Pressão exaustiva.
E boom!
Estoura!

[ seis portas ]

Postado em Prosa em Junho 19, 2009 por Gleice Couto

     Sinto pinicar o chão frio por debaixo de minha calça fina. O modo como estou sentada me traz desconforto – minhas pernas cruzadas formigam; meus braços, enlaçados a elas, começam a ficar doloridos. Já estou nessa posição há bastante tempo. Ela não muda.
     Respiro com cuidado e me encolho mais um pouco. A temperatura não estava baixa, mas meu corpo reagia a estímulos que vinham de minha mente já congelada. Conceitos paralisados no meu tempo estático.
     A sala branca… Ampla… Iluminada… Limpa… Não me era mais estranha. Conhecia cada detalhe seu, cada defeito em sua parede irregular. As muitas portas que faziam parte daquele ambiente eram imponentes. Altas… Lisas… De madeira, mas pintadas de branco… E cada fresta… Cada farpa mal coberta pela tinta era perceptível pros meus olhos já acostumados com elas.
     Eram seis. E todas estavam fechadas. Nunca as abri. Nunca me permiti sequer tocá-las. Somente posso usar uma e não sei qual. Escolhas são difíceis para mim. Por isso, apenas observo… Examino atentamente… Enquanto os ponteiros do meu relógio já gasto continuam a funcionar.
     Então, tudo o que sempre existiu entre nós foi espaço. Apenas ar. Rarefeito… Ele falta no último suspiro. E não me reconheço mais. A dor chega lancinante enquanto projetam-se cenas do roteiro da vida que, por medo, não escrevi.

[ acredite! ]

Postado em Blablabla em Junho 17, 2009 por Gleice Couto

Às vezes, parece que Deus está gritando comigo…

Eu te amo do jeito que você é! Acredite!

Mas eu não consigo escutar….

[ boas lembranças ]

Postado em Prosa em Junho 16, 2009 por Gleice Couto

     Saudades das pessoas queridas que por algum motivo não fazem mais parte da minha vida. Hoje pensei nelas. Por outro lado, também me lembrei das idiotas que estão presentes. Mas nessas não perdi muito tempo. Preferi continuar pensando nas que não mantenho mais contato e que foram especiais.
     Ana Paula era uma menina esquisitinha que sentava no fundo da sala. Não sei como, nem porque, mas começamos a nos falar. Acho que os esquisitos se atraem. Era uma pessoa calma, paciente… Exatamente o oposto de mim. Mas concordávamos em muito mais coisas. Ok, tá certo que meninas de 12 anos têm geralmente os mesmo pensamentos… Meninos e… Meninos.  Éramos apaixonadas pelo Geovane do vôlei, comprávamos revistas sobre ele e até matávamos aula pra ficar jogando! Depois, conhecemos o Bon Jovi e fomos obrigadas a trair o Geovane. Coração volúvel desde tenra idade. Também comíamos bala Frumelo escondidas no banheiro, devorávamos os livros da Agatha Christie, choramos na morte do Senna… Ela ia lá casa pra comer o bolo de chocolate da minha mãe e eu ia pra dela pra comer a carne com milho da D. Rose, sua mãe. Delícia! Convivemos quase que diariamente por mais ou menos 6 anos… Mas aí, cada uma foi viver sua vida… Diferente e distante… Mas ainda hoje, nos raros encontros que temos, é como se nada tivesse mudado.
     A equipe da Aky Disco era um grupo completamente heterogêneo. E eu adorava isso! Eu era a ‘baby’ com meus 18 anos recém completados e no meu primeiro emprego em meio a ‘adultos’ loucos – por música e de verdade mesmo. Dudu, Renato, Lópes, Móises, Luciane, Cristiane e mais uns outros chatos (nem tudo é perfeito…) nos divertíamos ao invés de trabalhar. Tudo era motivo pra risada em meio ao estresse de se trabalhar em uma loja de shopping… Chegar mais cedo em pleno domingo pra fazer contagem de estoque, trabalhar 12 horas em alguns feriados, escutar sambas-enredo por horas durante o Carnaval e Roberto Carlos no final do ano… Mas também tudo era motivo pra bagunça. Opa! Ganhamos ingressos do show case do M2M (Socorro!!!). ‘Bora? Bora! Opa! A Warner liberou ingressos pro Rock In Rio! Partiu? Partiu! Opa! A Ticketmaster dá dando cortesia pro Eric Clapton. Já é? Já é! Até comer churros no ponto de ônibus era diversão garantida pra gente… E então, cada um foi pro seu lado. Outros cargos, outros empregos… Até a loja fechou.
     Rodrigo era um menino tão doce… Sincero, tímido… Com um sorriso aberto. Sua mãe era tão simpática quanto ele… E era bailarina! Linda! Ele foi a primeira amizade que fiz na faculdade. Lembro que em uma aula de Sociologia, o professor fez a turma sentar em roda e pediu que cada um pegasse uma moeda. Em certo momento, a pessoa teria que dar a sua moeda para outra e dizer o porquê. Na vez dele, ele levantou foi até mim e disse que estava me dando por eu ser a primeira carioca que ele conseguiu fazer amizade – ele era do Espírito Santo. Na minha vez, dei o troco, claro. Nessa mesma matéria, muitas aulas eram filmes… E em todos, ficávamos no fundo da sala fazendo de tudo… Brincando de jogo da velha, forca, adedanha… Menos prestando atenção. Apesar de ele fazer Jornalismo, queria ser empreendedor imobiliário, por isso mudou de curso e foi pra Administração. Enquanto que eu mudei de turno, e da tarde, fui pra noite. O contato se perdeu…
     Felipe falava pelos cotovelos e contava piada como ninguém. Tinha porte, era bonitão, parecia galã de novela. E na verdade, depois fui saber, que era isso o que ele realmente queria ser:  ator. Um dia, durante uma aula de Economia, ele puxou papo comigo perguntando se eu tinha o conteúdo das aulas anteriores. Descobrimos que fazíamos outras matérias juntas… E daí começou uma amizade. Em meio a trabalhos em grupo e saídas pra baladas formávamos uma dupla e tanto. Por falar em saídas… Algumas foram memoráveis. Para o bem e para o mal. Ele tentou me ensinar a dançar forró, eu vomitei o carro dele todo, distribuímos açúcar no show do Jota Quest (???), puxamos trenzinho de funk no meio da pista de dança… Tínhamos uma cumplicidade que poucas vezes experimentei com outra pessoa. Mas aí, nossos objetivos começaram a mudar… Ele mudou. Eu mudei. E assim acabou uma amizade.
     Além dessas, tiveram tantas outras pessoas que eu queria que ainda fizessem parte do meu mundo… Sílvia, Gigi, Ivan, Frederico, Mariana, Sandra, Joyce… Mas sei que as coisas são assim mesmo… Algumas pessoas vão, outras ficam. O ruim é pensar que algumas queridas hoje, um dia irão… Mas tudo bem, elas sempre deixam um pouquinho delas conosco. Nem que sejam boas lembranças.

Mesmo que as pessoas mudem e suas vidas se reorganizem, os amigos devem ser amigos para sempre, mesmo que não tenham nada em comum, somente compartilhar as mesmas recordações. [ Vinícius de Moraes ]