Seja bem vindo ao meu quarto e sala. Não tente entender seus poucos cômodos. São pessoais, não-uniformes e difusos. As nuvens escuras não decoram o teto, nem são feitas de tinta. Chove de verdade aqui dentro. Enche e transborda. Enxurrada de sinceridade. Não me afogo, mas me esfrio. Estremeço. Acho que é o medo chegando novamente. E então, após a tempestade, as folhas no chão – escorregadias sob meus pés – encontrarão seu caminho pelo rio que escoa no corredor. E quando a garoa diminuir, a sombra gélida que reflete na parede se encontrará com o sol à leste, além da janela. Mas enquanto isso, faço e me desfaço em imperceptíveis partes desiguais. Incapazes de formar um todo… Sem seqüência fonética… Sem razão lírica… Apenas completando os ladrilhos imperfeitos da sala. Eu, um múltiplo-quarto com camas desarrumadas estou presente e inexistente na variedade de espaço… Vazio – interrogações apenas em forma de mobília antiga. O eco do meu soluço que ainda não passou pela garganta, ganha vida, cresce. E tudo volta a fazer sentido por cinco segundos. Quatro… Três… Dois… Um… Contagem regressiva para o mesmo começo. Pura simples vida. Talvez se eu mudasse os móveis de lugar… É por isso que moro aqui. Preciso me deslocar. Ajuda-me? É por isso que você está aqui. Expectador da minha única reforma desconfortável, faça mais do que me observar, me experimente, sou sensorial.