Espalho pedaços de mim no tabuleiro. São pequenos, com muitas formas diferentes. Calmamente, tento encaixá-los. Peça por peça. Sinto-as em meus dedos. Textura fina e quente.
Não sigo nenhuma lógica. Não há segurança sem mentira. Andar na calçada nunca me impediu de ser atropelada por sentimentos. Quero espontaneidade caótica. Vida sem metas. Realidade.
Aos poucos, uma imagem vai se formando. Borrão colorido que pulsa em mim. Coloco a mão em meu coração e te sinto. Alívio por estar intacto. Quase o perdi na confusão de brincar de tentar ser.
Me dou ao direito de ser feliz por exatos 127 segundos.
Então, respiro fundo. Observo as peças que utilizei com cuidado. Memorizo seus encaixes. Não sei porque faço isso. Os pedaços sempre mudam. Eu sempre mudo.
Sorrio e volto a embaralhar as peças. Não preciso conhecer o caminho para saber que o final é em você.
[ o final ]
27 quarta-feira jul 2011
Posted in Prosa
que romântico! e só 127 segundos de felicidade? 2 min, apenas…